Foto: Leonardo Matsuda
BRUNO REZENDE
Por ter nascido num elo perdido entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, o sotaque misturado ainda deixa em dúvida sua verdadeira origem. Na infância foi estimulado pelos pais a viver em contato com a natureza, isso permitiu a descoberta de algumas coisas, como a importância do sangue para os insetos; que trilhas não são estradas; a forma correta de subir, descer e rolar em morros sem quebrar um osso e o jeito certo de escorregar acidentalmente de cachoeiras sem se machucar muito, além da importância de preservar todo esse ambiente para aprender cada vez mais. Mas tudo isso infelizmente tem pouca ou nenhuma importância na profissão que o autor escolheria futuramente: Publicitário.
O inconformismo com a sua profissão já o atormentava antes do diploma de graduação em Propaganda e Marketing. Como começou a atuar nesta área anos antes de se formar, foi percebendo na prática todo o falso glamour da profissão e tentou fugir cursando Ciências da Computação, logo após a faculdade de Direito, que chegou a iniciar por duas vezes. As tentativas foram em vão, mesmo com a já visível decepção pela área de Propaganda era o que ele sabia fazer e fazia bem feito (segundo o mercado), ou seja, os gráficos de faturamento dos clientes tinham cor azul.
Depois que o autor resolveu encarar a fundo esta profissão entrou na faculdade para encontrar algumas respostas. Lá ele constatou a ligação direta dos gráficos azuis de faturamento das empresas com os números vermelhos no orçamento dos consumidores. Percebeu que era apenas o fruto do excelente trabalho executado por estes profissionais que estudam o comportamento humano a fim de criar desejos que se pode comprar, assim vendem o que os clientes produzem, geram lucro e todo mundo sai ganhando, certo? Errado. Não demorou muito para perceber que esse estímulo ao consumismo afetava diretamente algo que ele vivenciou muito na sua infância, o meio ambiente.
Juntando a fome com a vontade de comer surgiu o blog Coluna Zero, criado a partir de uma proposta bem simples que foi se ajustando com o tempo. Assim o autor pôde encontrar um meio de compartilhar estes e outros questionamentos não apenas com publicitários, mas com toda a sociedade e suas diferentes áreas de atuação profissional.
A proposta do autor não é mudar a profissão nem mudar de profissão. Ele continua sendo publicitário, ou melhor, vem tentando ser, pois esta exposição de suas idéias no blog acaba mantendo desempregado até os dias de hoje. Mas ele é otimista e acredita que as coisas vão melhorar, por bem ou por mal.
“Se algum dia eu precisar mudar de profissão para viver vou considerar como algo normal e louvável. Ruim é permanecer numa profissão aceitando se vender por algo que vai contra seus valores, que indiretamente poderá prejudicar os outros e mesmo sabendo de tudo isso continuar atuando diariamente para não ficar de fora do que já está estabelecido, é inaceitável. Pior que ter um câncer é ser um câncer.” Bruno Rezende



Por ter nascido num elo perdido entre os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, o sotaque misturado ainda deixa em dúvida sua verdadeira origem. Na infância foi estimulado pelos pais a viver em contato com a natureza, isso permitiu a descoberta de algumas coisas, como a importância do sangue para os insetos; que trilhas não são estradas; a forma correta de subir, descer e rolar em morros sem quebrar um osso e o jeito certo de escorregar acidentalmente de cachoeiras sem se machucar muito, além da importância de preservar todo esse ambiente para aprender cada vez mais. Mas tudo isso infelizmente tem pouca ou nenhuma importância na profissão que o autor escolheria futuramente: Publicitário.
O inconformismo com a sua profissão já o atormentava antes do diploma de graduação em Propaganda e Marketing. Como começou a atuar nesta área anos antes de se formar, foi percebendo na prática todo o falso glamour da profissão e tentou fugir cursando Ciências da Computação, logo após a faculdade de Direito, que chegou a iniciar por duas vezes. As tentativas foram em vão, mesmo com a já visível decepção pela área de Propaganda era o que ele sabia fazer e fazia bem feito (segundo o mercado), ou seja, os gráficos de faturamento dos clientes tinham cor azul.
Depois que o autor resolveu encarar a fundo esta profissão entrou na faculdade para encontrar algumas respostas. Lá ele constatou a ligação direta dos gráficos azuis de faturamento das empresas com os números vermelhos no orçamento dos consumidores. Percebeu que era apenas o fruto do excelente trabalho executado por estes profissionais que estudam o comportamento humano a fim de criar desejos que se pode comprar, assim vendem o que os clientes produzem, geram lucro e todo mundo sai ganhando, certo? Errado. Não demorou muito para perceber que esse estímulo ao consumismo afetava diretamente algo que ele vivenciou muito na sua infância, o meio ambiente.
Juntando a fome com a vontade de comer surgiu o blog Coluna Zero, criado a partir de uma proposta bem simples que foi se ajustando com o tempo. Assim o autor pôde encontrar um meio de compartilhar estes e outros questionamentos não apenas com publicitários, mas com toda a sociedade e suas diferentes áreas de atuação profissional.
A proposta do autor não é mudar a profissão nem mudar de profissão. Ele continua sendo publicitário, ou melhor, vem tentando ser, pois esta exposição de suas idéias no blog acaba mantendo desempregado até os dias de hoje. Mas ele é otimista e acredita que as coisas vão melhorar, por bem ou por mal.
“Se algum dia eu precisar mudar de profissão para viver vou considerar como algo normal e louvável. Ruim é permanecer numa profissão aceitando se vender por algo que vai contra seus valores, que indiretamente poderá prejudicar os outros e mesmo sabendo de tudo isso continuar atuando diariamente para não ficar de fora do que já está estabelecido, é inaceitável. Pior que ter um câncer é ser um câncer.” Bruno Rezende











