Pesquisas revelam que boas intenções contrastam com ausência de gestos dos consumidores brasileiros

Por Bruno Rezende.

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“De boas intenções o inferno está cheio”, é o que diz o ditado. E também é mais ou menos isso que conclui duas pesquisas publicadas no fim deste ano. Seguindo o mês de dezembro com postagens sobre consumo consciente, resolvi reunir neste post duas pesquisas que traçam o perfil do consumidor consciente no Brasil, a sua preocupação com o meio ambiente e as práticas sustentáveis. Duas pesquisas sérias que trazem dados muito relevantes e de interesse geral.
As pesquisas mostram que a maioria dos consumidores brasileiros defende as causas ambientais, no entanto, partir para a prática propriamente dita não está nos planos das pessoas, acreditam que essa responsabilidade é de empresas, órgãos públicos e das futuras gerações.
Estas pesquisas estão disponíveis gratuitamente para download e terão grande importância para os estudiosos da área, para os empresários entenderem os seus consumidores e para você consumidor entender melhor o seu próprio comportamento e começar a questionar suas atitudes.

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O Consumidor Brasileiro e a Sustentabilidade: Atitudes e Comportamentos frente ao Consumo Consciente, Percepções e Expectativas sobre a Responsabilidade Social Empresarial
Esta pesquisa, realizada pelo Instituto Akatu e Instituto Ethos, revelou que os consumidores brasileiros classificados como “conscientes” é de 5%, índice semelhante ao registrado no último levantamento em 2006. Considerando-se o crescimento populacional o resultado torna-se positivo, onde os 5% correspondem a 500 mil novos consumidores conscientes.
Foram ouvidas 800 pessoas, homens e mulheres, com idade igual ou superior a 16 anos, de diferentes classes sociais e regiões do país. 56% destas pessoas nunca ouviram falar em “sustentabilidade” e apenas 16% sabem definir corretamente a palavra. A outra parcela, 19% do total, acha que sustentabilidade tem a ver com auto-sustento, como: “se sustentar sozinho”, “sustentar a família”.
Outro ponto importante da pesquisa mostra que apenas 1 em cada 3 brasileiros acreditam ter responsabilidade sobre as questões socioambientais e 9% do total acreditam que não têm responsabilidade alguma sobre isso. A maioria, 59% do total, acredita que a responsabilidade fica por conta das empresas.

A pesquisa seguinte tem o mesmo ponto em comum, onde o consumidor cobra dos outros, mas não está disposto a mudar seus hábitos individuais. Uma verdadeira hipocrisia / ausência de informação e vontade dos consumidores brasileiros.

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Sustentabilidade Aqui e Agora: Brasileiros de 11 capitais falam sobre meio ambiente, hábitos de consumo e reciclagem
Esta pesquisa, realizada pelo Wallmart em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), revelou que 61% dos entrevistados acreditam que a responsabilidade com o meio ambiente é problema dos órgãos públicos (governos e prefeituras) e apenas 18% responderam que a responsabilidade é do indivíduo.
Foram ouvidas 1100 pessoas em 11 capitais: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).
Outro dado interessante revelado pela pesquisa é que os brasileiros apostam na próxima geração para solidificar uma sociedade mais atuante em prol do meio ambiente: 63% dizem que a escola é o local mais apropriado para a construção de uma consciência ambiental, seguido de comunidades (58%) e igrejas (43%).

As duas pesquisas deixam claras as diferenças entre “intenção” e “gesto”. Fala-se muito sobre preservação ambiental, consumo consciente e sustentabilidade, mas a maioria das pessoas não apresenta disposição para as mudanças hoje, jogam a responsabilidade para as gerações futuras. Há muitos anos as gerações fazem isso e a coisa só piora.

Estes resultados mostram que nós brasileiros somos carentes de informação. O bombardeio de notícias sensacionalistas e campanhas publicitárias carregadas de “greenwashing” só servem para nos estimular a consumir, nada mais além disso. Não somos estimulados a pensar, a entender que o consumo excessivo está diretamente ligado aos problemas ambientais. A imprensa não nos informa claramente por um único motivo: ela vive da publicidade. Portanto meu caro, não espere ver em um noticiário de grande audiência nacional informações relevantes sobre essas pesquisas, pois continuarão mostrando o degelo das calotas polares no verão do Ártico como se fosse a coisa mais absurda do mundo ou mostrando a Ilha de Lixo do Pacífico como se fosse um problema de descarte correto do lixo, e não do consumo desenfreado estimulado no intervalo comercial deste mesmo canal.

Além dessas duas pesquisas indico também a leitura de um relatório internacional publicado anualmente pelo WWI - Worldwatch Institute, produzido em parceria com o Instituto Akatu. O “Estado do Mundo” é um relatório bem abrangente e detalhado sobre consumismo e sustentabilidade. Clique aqui para ver.

Então é isso, espero que seja um estímulo para vocês repensarem nos pequenos hábitos diários. Nada de jogar a responsabilidade para a geração dos seus filhos ou netos, ok?

Boas festas!




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