Carnaval consciente no Rio de Janeiro?

Por Bruno Rezende.

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Neste ano o carnaval do Rio de Janeiro foi maior que em 2009, contou com 461 blocos regularizados pela prefeitura e foi patrocinado pela Antarctica, que veio com uma campanha tentando conscientizar (ou adestrar) o folião a fazer xixi no lugar certo. A empresa espalhou pela cidade 4 mil banheiros químicos e a prefeitura disponibilizou mais 400, incluindo os “fraldões”, além disso, vários banners, faixas e placas em árvores e muros com frases como "Na Boa, xixi aqui, não!", "Segura o xixi que o banheiro é logo ali!" e "Interditado pelo bom senso". Muito interessante, mas não funcionou. Faltaram banheiros e sobraram ruas para os foliões urinarem, principalmente as mulheres que não aguentavam as filas intermináveis nos banheiros.

Agora eu pergunto: alguém fez campanha para reduzir a quantidade de lixo nas ruas? Segundo dados da COMLURB (Companhia Municipal de Limpeza Urbana), de sexta-feira (12) até a manhã de quarta-feira de cinzas (17) cerca de 1.600 garis recolheram das ruas do Rio mais de 760 toneladas de lixo, um aumento de 61,88 toneladas em relação a 2009. Um verdadeiro mar de lixo que registrei em algumas fotos.

Reparei a ausência de um objeto em especial em todo o lixo espalhado pelas ruas, as latinhas de alumínio. Os catadores recolhiam todas para reciclagem. Atitude bacana. Em compensação ninguém recolhia as garrafinhas de plástico, palitos e sacos plásticos diversos (principalmente os plásticos que envolvem as latas de cerveja da empresa patrocinadora, os packs com 12 latas). Tudo isso também é reciclável, mas deve ter um baixíssimo valor de mercado para terminar num lixão.

Durante este carnaval eu notei que vários vendedores ambulantes autorizados pela prefeitura jogavam no chão o plástico que envolve os packs de latas de cerveja, da Antarctica é claro. Percebi também que abaixo do isopor de muitos tinham aproximadamente outros 20 packs de Antarctica empilhados, ou seja, mais 20 plásticos de pack e 240 latinhas de alumínio iriam pro chão.

Pra piorar a sujeira nas ruas, não havia nenhuma lixeira grande por perto, apenas lixeiras pequenas que ficam instaladas em alguns postes. Por mais que o folião quisesse não tinha lixeira vazia para descartar o lixo, ia pro chão mesmo. No final da noite as ruas tinham um cenário de guerra, uma bagunça total.

Enfim, valeu como experiência para a prefeitura e também para a Antarctica, patrocinadora do evento, que pode fazer alguns ajustes se for patrocinar o carnaval no próximo ano, começando pela campanha que ao invés de tentar nos adestrar a fazer xixi no lugar certo, poderia disponibilizar aos ambulantes máquinas de cerveja e a comercialização de canecas, o que permitiria o uso prolongado e eliminaria grande parte do lixo nas ruas. Não sei se é uma idéia viável, mas é uma idéia que pode auxiliar para o bem-estar de todos e para o meio ambiente.

Abaixo alguns registros fotográficos:

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À esquerda Av. Rio Branco durante o Cordão do Bola Preta; à direita rua Joaquim Silva na Lapa com uma lixeira descansando na sombra.

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À esquerda Av. Almirante Barroso com Av. Rio Branco no Centro, durante a festa; à direita a rua Evaristo da Veiga na Cinelândia após a passagem de um bloco.

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Enormes sacos de latinhas recolhidas pelos catadores em algumas horas.

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Reaproveitamento de carcaças de monitores para uso como vaso de plantas. Interessante idéia encontrada na rua Joaquim Silva na Lapa.



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8 comentários:

ElcioFernando disse...

Bruno, excelente post.
Infelizmente é muito triste ver esta sujeira nas ruas. Apesar da falta de estrutura, é lamentável a falta de educação e cidadania do nosso povo. Tem coisas que não precisaríamos ter leis pois deveria vir no "piloto automático". E ainda dizem que o "bom do Brasil é o brasileiro". Hunpf!
Abs.

Alexandre Silva disse...

Até quando isto vai acontecer? Lamentavel!
Excelente artigo!
Abs,
Alexandre Silva

colunazero@gmail.com disse...

É verdade Elcio, falou tudo.
Obrigado pelo comentário.
Grande abraço,
Bruno RZ.

Joicinha disse...

Lamentável esse tipo de atitude!

Concordo com a elaboração de campanhas, mas até quando teremos que criar campanhas pra que as pessoas tomem atitude? Até quando teremos que ver situações como essa em pleno século 21?!! A base para a melhoria desses atos é a educação, que vem de casa, dos hábitos diário, de uma postura mais responsável.

bjs

Joicinha

colunazero@gmail.com disse...

É verdade Joici, chega a ser vergonhoso para a população este tipo de campanha que estimula atitudes que deveriam vir da infância. E o papo aqui não é só onde fazer xixi, mas também o lixo jogado pelas ruas. Os garis tiveram trabalho de sobra.

Obrigado pela participação.

Beijos,

Bruno RZ.

Guilherme Freitas disse...

Espero que as autoridades públicas façam um trabalho melhor ano que vem. Colocando mais banheiros químicos ou públicos nas ruas, incentivando a reciclagem e orientando os folões a não jogar tanto lixo nas ruas. Abraços

Cristina Reis disse...

Infelizmente a falta de educação e de incivilidade da sociedade é que faz a cidade se tornar um lixão aberto. Não existe a conciência ecológica. Tantos as empresas patrocinadoras de bebidas e as Associações carnavalescas não podem fugir do compromisso de deixar os bairros no mínimo com condições habitáveis.
Quarta feira, dia 22.09.2010, a Riotur soltou os novos encargos para o patrocínio do Carnaval de 2011, Vamos ver o que acontece.

colunazero@gmail.com disse...

É verdade Cristina. E desse jeito ainda querem fazer uma Copa do Mundo e Olimpíadas... é mole?

Obrigado por essa informação da Riotur, eu não sabia. Ano que vem estarei de novo pelas ruas para ver se alguma coisa mudou.

Obrigado pelo comentário.

Grande abraço.