Engane-se com a redução do IPI

Por Bruno Rezende.


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Na última terça-feira (24), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que os automóveis dotados de motor flex e aqueles movidos exclusivamente a álcool ganharão mais quatro meses de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com o objetivo de que haja um estímulo à produção de veículos menos poluentes.
A redução para os automóveis ambientalmente corretos segue a linha das reduções de impostos para eletrodomésticos anunciada pelo governo ao final de outubro. Máquinas de lavar, fogões, geladeiras e tanquinhos com selos de classe A e B (que consomem menos energia) tiveram a redução de IPI prorrogada até o final de janeiro. Você engoliu isso?

A princípio, redução do IPI é vista por todos os consumidores como um grande benefício. A redução é vantajosa, pois a redução do imposto diminui consideravelmente o preço final do produto, facilitando a aquisição. Mas quem mais se beneficia com isso é a economia do país, já que o grande volume das vendas aumenta a oferta de empregos, a receita das empresas e do governo.

As vantagens que esta ação do governo trará para a economia do país são indiscutíveis, mas a desculpa ambiental utilizada para justificar essa iniciativa de reduzir o IPI é uma vergonha.

Não preciso lembrar que o trânsito nas grandes cidades está cada vez mais caótico, o transporte público é insuficiente e a carga tributária de outros produtos de menor valor está nas alturas. Esta ação de reduzir o IPI não é nada mais que uma manobra política / econômica que visa acelerar a economia do país hoje e arrecadar a longo prazo mais impostos, como o IPVA, mas continuarão sem investir em setores importantes para o dia-a-dia do cidadão, como o transporte público, e outros setores cruciais para o meio ambiente, como a reciclagem.

Provavelmente quem já possui um automóvel irá aproveitar este momento para trocá-lo por um zero km, mas e o carro usado? É muito provável que ele voltará para as ruas na mão de outro dono, poluindo como sempre. Então essa eu quero que o governo me responda: que bem essa troca fará ao meio ambiente? Bem nenhum, é papo furado. A mesma questão vale para os eletrodomésticos. Em minha opinião o governo brasileiro usou o nocivo artifício do Greenwashing.

De nada vai adiantar o que estou falando aqui, as pessoas vão trocar ou comprar o primeiro carro, é inevitável. Mas isso vai acontecer porque não questionamos, apenas aceitamos o que a mídia diz e também porque o nosso governo está usando de uma desculpa ambiental para estimular a economia, não está sendo sincero e também não está investindo em nada para o bem da sociedade. Só espero que nos próximos anos, quando estiver preso num engarrafamento, você pense no comportamento de consumo impensado que teve quando o governo lhe disse que reduziu o IPI para comprar seu carro. Na verdade você foi feito de bobo, pois o que poderia resolver o problema de acesso e engarrafamento nas nossas cidades não teve investimento, o transporte público.

Consumir com consciência não é comprar produtos ecologicamente corretos, é repensar os hábitos de consumo.



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4 comentários:

Edegard disse...

Realmente na verdade não esta havendo redução alguma, os carros 1.0 ficaram nos 3%, os 1.0 até 2.0 Flex em 7,5% e os 1.0 até 2.0 a Gasolina ficarm em 13%. Isso é redução? Mas como o povo brasileiro é esquecido.!
Um abraço.

colunazero@gmail.com disse...

Sim Edegard, o povo é esquecido e diria até inocente.
Muitos estão elogiando o governo por esta redução, mas não sabem o que está por trás deste jogo. Tomara que essas pessoas se lembrem da real proposta desta redução quando estiverem em um mega engarrafamento.
Grande abraço.

Anônimo disse...

Brazileiro é tão bonzinho...

aaa disse...

se o transporte público fosse de qualidade eu não teria carro...

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